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quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Os Desafios de Ser um Artista 60+: Reinventando a Arte na Maturidade




Envelhecer não é apenas uma questão de tempo; é uma jornada de reinvenção. Para artistas com mais de 60 anos, essa fase da vida representa tanto desafios quanto oportunidades únicas. Embora a experiência e a sabedoria adquiridas ao longo dos anos sejam grandes aliados, é inegável que o mercado da arte, predominantemente voltado para a juventude, pode se tornar um campo de batalha desafiador.

O Estigma da Idade

Um dos maiores desafios enfrentados por artistas 60+ é o preconceito relacionado à idade. Em uma indústria que muitas vezes glamouriza o novo e o contemporâneo, artistas mais velhos podem ser erroneamente percebidos como ultrapassados. Essa barreira invisível é especialmente evidente em eventos de arte, galerias e até mesmo em plataformas digitais, onde a visibilidade é frequentemente monopolizada por nomes emergentes.

A Tecnologia como Obstáculo e Aliada

Outro desafio significativo é a adaptação às tecnologias modernas. Redes sociais, NFTs e marketplaces digitais dominam o mercado de arte atual. Muitos artistas dessa faixa etária encontram dificuldades em navegar por essas plataformas, não apenas por uma questão técnica, mas também por um senso de desconexão cultural. No entanto, aqueles que abraçam a tecnologia frequentemente descobrem nela uma ferramenta poderosa para ampliar sua audiência e conquistar novos espaços.

Desafios Financeiros e Logísticos

A instabilidade financeira é uma realidade para muitos artistas, independentemente da idade. Contudo, para aqueles com mais de 60 anos, essa questão pode ser agravada por despesas médicas, aposentadorias insuficientes ou a falta de oportunidades de trabalho. Além disso, a logística de produzir e expor obras pode se tornar mais complexa com o avanço da idade, devido a limitações físicas ou dificuldades de mobilidade.

A Resiliência e a Sabedoria como Diferenciais

Por outro lado, ser um artista 60+ também traz vantagens únicas. A maturidade oferece uma perspectiva profunda sobre o mundo, resultando em obras mais ricas e emocionalmente complexas. Além disso, a experiência acumulada é uma arma poderosa na construção de um legado artístico significativo. Muitos artistas nessa faixa etária encontram inspiração nas suas vivências, criando peças que dialogam com questões universais de forma única.

Redefinindo Sucesso

A ideia de sucesso também passa por uma redefinição. Para muitos artistas 60+, o foco deixa de ser a fama ou o reconhecimento imediato, e passa a ser a satisfação pessoal, a expressão genuína e a contribuição para a sociedade. Projetos comunitários, oficinas e colaborações intergeracionais têm se tornado formas populares de compartilhar experiências e manter a relevância no cenário artístico.

O Futuro do Artista 60+

Com o envelhecimento da população global, espera-se que a indústria cultural também evolua para abraçar a diversidade etária. Iniciativas voltadas para artistas mais velhos, como exposições temáticas e programas de mentoria, são passos importantes nessa direção. Além disso, é fundamental que o próprio artista 60+ reconheça o valor de sua voz única e a utilize para desafiar preconceitos e abrir novos caminhos.

Ser um artista 60+ é, acima de tudo, uma prova de resiliência e paixão. Em um mundo onde a arte é constantemente redefinida, esses criadores continuam a nos lembrar que criatividade e expressão não têm prazo de validade.


domingo, 28 de julho de 2019

O papel dos avós na vida dos nossos filhos

* Por Priscilla Kalil 

Tanto eu quanto meu marido somos muito família e adoramos estar rodeados por quem amamos. Mas moramos longe de todos, inclusive dos nossos pais. Logo, o contato do nosso filho com os avós não é diário.

Tem dias que é bem difícil não ter os avós por perto, não ter com quem contar, com quem dividir as dores e as alegrias da maternidade. Alguns dias sentimos mais que outros, como por exemplo a primeira festa junina do nosso filho. Infelizmente nenhum deles pode estar aqui, e adoraríamos que eles estivessem. Mas a escolha de morar longe foi nossa, e cada decisão vem acompanhada de algumas renúncias.

Para driblar a falta que os netos sentem de ter os avós por perto, seguem algumas dicas:

- Deixe que os filhos tenham uma presença constante – mesmo que virtualmente – com os avós, assim eles criarão laços e as brincadeiras deles, mesmo online;

- Quando a barra apertar, peça ajuda! No meu caso, pedi ajuda nas férias, e foi muito bom! As avós puderam passar um tempo aqui e colaborar, dando atenção ao nosso filho enquanto trabalhávamos;

- Quando os avós estiverem com as crianças, façam cada momento valer a pena: esqueça televisão, celular, deite no chão, brinque de esconde-esconde, deixe que se sujem de lama... Enfim, deixe os avós voltarem a ser crianças com o neto, esses momentos serão inesquecíveis, para ambas as partes!

- Sabemos que muitas coisas eram diferentes no tempo de em que nós, pais, éramos crianças, e nossa própria relação com nossos avós. Mas uma coisa é certa: nada mais fácil (e produtivo) do que respeitar as decisões da família.

Morar sem os avós por perto pode ser um desafio a ser superado. Não ter rede de apoio torna os nossos filhos ainda mais grudados conosco, principalmente quando são mais novos. Com o passar do tempo eles vão entendendo o carinho dedicado à eles, mesmo que demorem mais tempo pra se ver e a relação se desenvolve naturalmente. Enfim, só me resta desejar um Feliz Dia dos Avós para esses seres iluminados, com colorem a vida dos nossos filhos e nos ajudam sempre nos momentos em que mais precisamos.

*Priscilla Kalil é mãe do Nicolas, fisioterapeuta, esteticista, especialista em neurologia, empreendedora e CEO e instrutora de pilates no Studio KaPri. Formada há 13 anos pela Universidade Metodista de São Paulo, já viajou o mundo trabalhando com tratamentos corporais. Já morou em Perth, na Austrália, e sua volta ao Brasil há oito anos, teve um motivo: saudade da família. Esse, aliás, é um assunto que caminha de mãos dadas com o universo da maternidade, assuntos que Priscilla domina com maestria. Autora do Materhood, o melhor lugar para as conversas de mãe, sem nenhum julgamento.